A Igreja da Lapa, na Póvoa de Varzim, nos dias 26, 27 e 28 de fevereiro de 2026, foi o palco para a revisitação de uma tragédia marítima, cuja memória permanece viva nas comunidades de Póvoa de Varzim e da Afurada. Há 134 anos, em 27 de fevereiro de 1892, uma tempestade devastadora tirou a vida a 105 pescadores, marcando profundamente inúmeras famílias. Este desastre, terá estado na origem da criação do Instituto de Socorros a Náufragos, fundado pela Rainha D. Amélia.
Com fortes raízes na região poveira, e em memória desse momento funesto, Helder Luís, alumnus do Mestrado em Cinema e Fotografia, desenvolveu o espetáculo audiovisual Supplica, que revisita a tragédia deste naufrágio. Mais do que uma mera viagem histórica, envolveu os presentes numa experiência artística imersiva, em que as memórias se reinterpretam e se mantêm vivas através da música, da imagem e da palavra.
No âmbito da programação da 27.ª edição do Correntes d’Escritas, o vídeo foi apresentado num ecrã LED de alta definição com cerca de 6,5 metros de altura por 3,5 metros de largura, instalado na igreja, integrando-se no espaço com a solenidade que o momento exigia. Os presentes foram convidados a uma viagem sensorial, em sete capítulos, que percorreu os vários momentos: antes, durante e depois da tragédia. Evocaram-se momentos, imagens e estados de espírito: o quotidiano, a esperança, o medo, a perda e o luto.
Supplica revisita as memórias de uma tragédia, numa experiência artística viva, imersiva e coletiva. Este projeto, integrado na residência artísticaMAR|PVZ19/20, contou com o apoio da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim e da Mútua dos Pescadores.
A inspiração para o nome do espetáculo surge do painel de azulejos existente na fachada da Igreja da Lapa, voltada para o mar. Deparei-me com esse painel em 2018, durante uma visita à igreja para solicitar o empréstimo de uma imagem de Nossa Senhora da Assunção para a instalação MAR. A palavra supplica inscreveu-se então no meu imaginário e, quando comecei a pensar nos projetos para a residência artística MAR|PVZ19/20, surgiu naturalmente como título provisório para um espetáculo relacionado com a tragédia de 27 de fevereiro de 1892. O título manteve-se inalterado desde então. Helder Luís
