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Publicado em: 27 Março 2026

Matéria do objeto: da gestão espacial à forma editorial

Os estudantes da Licenciatura em Design inauguram esta exposição que materializa a convergência disciplinar ao articular o desenvolvimento tridimensional do objeto editorial com a criação da infraestrutura física sustentável que o suporta.

No dia 27 de março, os estudantes da Licenciatura em Design apresentam a exposição Matéria do objeto: da gestão espacial à forma editorial.

A exposição privilegia o contacto direto com o contexto real do planeamento de projeto, das tecnologias de produção e da gestão de recursos materiais. Este exercício colaborativo materializa a convergência disciplinar ao articular o desenvolvimento tridimensional do objeto editorial com a criação da infraestrutura física sustentável que o suporta.

No âmbito do design editorial, o papel e o plano de produção assumem-se como matérias centrais de convívio e experimentação. Os projetos gráficos apresentados expõem a materialização inaugural do livro enquanto objeto, habitualmente designada por mono. Este exercício de validação tridimensional exige uma planificação rigorosa, partindo de um formato de produção standard de setenta por cem centímetros. A imposição dos cadernos, compostos por um mínimo de sessenta e quatro páginas de miolo e quatro de capa, procurou o menor desperdício possível de matéria-prima. A seleção analítica de gramagens, texturas e níveis de rigidez, aliada à justificação do formato adotado, reflete um compromisso entre a otimização industrial e o conceito subjacente a cada publicação. A totalidade das propostas gráficas partilha uma premissa comum inscrita na capa, estabelecendo que a forma antecede a palavra, afirmando assim o objeto físico como o recetáculo primordial da comunicação e do pensamento.

Para o suporte físico desta mostra, os estudantes de Design Industrial operaram segundo a dinâmica de um atelier colaborativo de grande escala. A intervenção espacial rege-se pelos princípios da economia circular, utilizando tubos de cartão recuperados da Fábrica Artesanal de Tapetes de Beiriz. Originalmente destinados ao descarte após servirem de suporte a linhas de produção, estes elementos foram recontextualizados como módulos estruturais. O sistema organiza-se em ilhas de diferentes alturas e diâmetros, instituindo uma topografia dinâmica. A estabilidade mecânica dos conjuntos é assegurada por um elemento de contraste funcional, uma corda vermelha de oito milímetros, que agrupa os cilindros e enfatiza a natureza crua e reciclada do cartão.

Simplificando, a exploração centrou-se na planificação do livro enquanto objeto, focando a otimização industrial e a minimização do desperdício de papel para comprovar que a forma física antecede a palavra. Paralelamente, a vertente industrial operou segundo dinâmicas de economia circular, recontextualizando tubos de cartão destinados ao descarte em módulos estruturais dinâmicos.

Esta exposição, que decorre nos corredores da Escola Superior de Media Artes e Design, decorre no âmbito da unidade curricular de Gestão em Design, da Licenciatura em Design, ramos de Design Industrial e Design de Comunicação. A coordenação pedagógica e projetual foi assegurada pelos docentes Ângelo Gonçalves e Hugo Vaz, contando com o design de Miguel Campinho e o apoio da Fábrica Artesanal de Tapetes de Beiriz, no fornecimento de materiais.
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